domingo, 16 de abril de 2017

A GRANDE CORRIDA À VOLTA DO MUNDO


A GRANDE CORRIDA 
À VOLTA DO MUNDO (1965)

Houve um tempo, em meados da década de 60 do século passado, que a comédia sonhou com a super-produção e que chegou mesmo a ser designada por alguns como “epic comedy” por comparação com alguns outros épicos desse período. Tudo terá começado em 1963 com a mega comédia de Stanley Kramer “It's a Mad, Mad, Mad, Mad World”, onde ao longo de três horas de perseguições e gags consecutivos, uma legião de grandes actores cómicos transformaram o título que custara 3 milhões de dólares num triunfo de bilheteira inimaginável. Dois anos depois, Blake Edwards convence a Mirisch Productions e a Warner Brothers a entrarem num projecto semelhante, inspirado numa corrida de carro que aconteceu realmente em 1908, de Nova Iorque a Paris. (Curiosamente, no mesmo ano, em Inglaterra, Ken Annakin, rodava outra mega comédia de um estilo muito semelhante, “Those Magnificent Men in Their Flying Machines or How I Flew from London to Paris in 25 hours 11 minutes”).
Blake Edwards vinha de grandes sucessos, “The Pink Panther” e “A Shot in the Dark”, por isso se compreende que os estúdios tenham reunido 12 milhões de dólares para o realizador satisfazer a sua ambição de homenagear as grandes comédias clássicas mudas e o espirito dos cartoons. “The Great Race”, escrita pessoalmente por Blake Edwards com a colaboração de Arthur Ross, acaba por defraudar as espectativas na época da sua estreia, sendo um fracasso de bilheteira e um relativo falhanço crítico. Mas os anos passam e o filme torna-se num clássico da comédia, muito requisitado em versões DVD e Blu-Ray. Não sendo o que se possa chamar uma obra-prima, a verdade é que esta super comédia acaba por cumprir as promessas.


A ideia é acompanhar uma corrida de automóveis que saem de Nova Iorque e terão de chegar a Paris com vitória proclamada ao que primeiro cortar a meta e que receberá um chorudo prémio. São vários os concorrentes, mas o filme irá acompanhar sobretudo duas viaturas: numa, corre The Great Leslie, o cavaleiro branco, imperturbável na sua indumentária imaculada e a sua intrépida companheira jornalista Maggie Dubois (Tony Curtis e Natalie Wood), noutro, seguem o malvado Professor Fate e o seu ajudante nas mais maquiavélicas situações, Maximilian Meen (precisamente Jack Lemmon e Peter Falk). As perseguições relembram obviamente o “slapstick”, o cinema mudo de Hal Roach, Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd ou Laurel e Hardy (a quem, aliás, o filme de Blake Edwards é dedicado). Por outro lado, as engenhosas e maléficas patifarias, do Professor Fate são inspiradas nos cartoons da série “Looney Tunes”, de “o diabo da Tasmânia” a “Speedy Gonzalez”. Se globalmente o espírito é esse, há momentos onde a citação é óbvia: a fabulosa sequência de “tarte na cara” que surge no reino do Príncipe Frederick Hoepnick (uma outra magnífica composição de Jack Lemmon) é uma reconstituição milimétrica das grandes cenas clássicas do chamado “pastelão na cara” e de outras de humor eminentemente físico que caracterizaram o “slapstick”.
O ritmo é vertiginoso (empastela um bocadinho para o fim, mas mesmo assim segue-se sempre com prazer), as situações hilariantes, as mudanças geográficas permitem paródias muito saborosas a vários géneros cinematográficos, desde o filme de aventuras ao western, passando pelas “Sombras Brancas”, de Nicholas Ray, pelo filme histórico, entre outros Os actores são excelentes, desde os protagonistas aos secundários. Desde Tony Curtis, no herói de dentes refulgentes e indumentária de uma brancura de publicidade a detergente, até à azougada Natalie Wood, uma arrojada fotojornalista, passando por Peter Falk, Keenan Wynn, Arthur O'Connell, Vivian Vance, Dorothy Provine, entre outros, tudo gira sobre rodas. Mas o “malvado” Jack Lemmon (e as suas maquiavélicas invenções) é insuperável, criando uma daquelas personagens de eleição que não mais se esquecem.

A GRANDE CORRIDA À VOLTA DO MUNDO
Título original: The Great Race
Realização: Blake Edwards (EUA, 1965); Argumento: Arthur A. Ross, Blake Edwards; Produção: Dick Crockett, Martin Jurow; Música: Henry Mancini; Fotografia (cor): Russell Harlan; Montagem: Ralph E. Winters; Design de produção: Fernando Carrere; Direcção artística: Fernando Carrer; Decoração: George James; Guarda-roupa: Donfeld, Edith Head; Maquilhagem: Gordon Bau, Sydney Guilaroff, Jean Burt Reilly; Coreografia: Hermes Pan; Direcção de Produção: Clem Beauchamp, Chuck Hansen, Jack McEdward; Assistentes de realização: Jack Cunningham, Richard Landry, Mickey McCardle; Departamento de arte: Reg Allen, Jack Stevens, Mentor Huebner; Som: M.A. Merrick, Treg Brown; Efeitos especiais: Johnny Borgese, George Lee; Efeitos visuais: Linwood G. Dunn, James B. Gordon, Albert Simpson; Companhias de Produção: Warner Bros., Patricia, Jalem Productions, Reynard; Intérpretes: Jack Lemmon (Professor Fate / Principe Frederick Hoepnick), Tony Curtis (The Great Leslie), Natalie Wood (Maggie Dubois), Peter Falk (Maximilian Meen), Keenan Wynn (Hezekiah Sturdy), Arthur O'Connell (Henry Goodbody), Vivian Vance (Hester Goodbody), Dorothy Provine (Lily Olay), Larry Storch (Texas Jack), Ross Martin (Barão Rolfe Von Stuppe), George Macready (General Kuhster), Marvin Kaplan, Hal Smith, Denver Pyle, William Bryant, Ken Wales,etc. Duração: 160 minutos; Distribuição em Portugal: inexistente; Internacional: Fell Films (Blu Ray); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 7 de Dezembro de 1965.

JACK LEMMON 
(1925 - 2001)
Jack Lemmon foi um actor de registos múltiplos, mas particularmente dotado para a comédia, sendo um dos actores preferidos de cineastas como Billy Wilder, Blake Edwards ou Richard Quine, especialistas no humor. Algumas das suas criações permanecerão para sempre como marcos no campo da comédia, como em “Quanto Mais Quente, Melhor”, “A Grande Corrida à Volta do Mundo”, “O Apartamento”, “Irma la Douce”, “A Notável Senhoria” ou “A Primeira Página”.
John Uhler Lemmon III, de seu nome próprio, Jack Lemmon como nome artístico, nasceu a 8 de Fevereiro de 1925, em Newton, Massachusetts, EUA, e viria a falecer a 27 de Junho de 2001, em Los Angeles, Califórnia, EUA, vítima de cancro. Filho de uma família abastada, Jack Lemmon estudou em colégios particulares nos EUA e teve um primeiro contacto com o teatro ainda na escola, ao substituir um colega com poucas deixas. Mesmo assim, conseguiu transformar a substituição num tremendo fracasso, esquecia-se de tudo o que tinha a dizer e recolhia envergonhado aos bastidores, perante as gargalhadas do público. O insucesso não o inibiu e, pelo contrário, fê-lo apaixonar-se pela arte dramática. Continuou a representar, enquanto concluía um curso de Ciências Políticas em Harvard. Depois de servir na II Guerra Mundial, seguiu a carreira de actor, iniciando-se numa série televisiva “That Wonderful Guy” (1949-1950). No cinema, a sua primeira aparição, data de 1954, “It Should Happen to You”, de George Cukor. Dois anos depois, ganha o seu primeiro Oscar (ainda como actor secundário), em “Mister Roberts”, de John Ford e Mervin Le Roy. Depois, foi uma carreira de enorme sucesso, na televisão, no teatro, mas sobretudo no cinema. Com Blake Edwards estreou-se como actor dramático, em “Days of Wines and Roses”. Brilhante. Morreu em 2001, com 76 anos de idade, e foi sepultado no Westwood Memorial Park, Los Angeles, Califórnia. Possui obviamente uma Estrela no Walk of Fame de Hollywood.
Dois Oscars: como Melhor Actor Secundário: 1956: “Mister Roberts”, e como Melhor Actor, em 1974: “Save the Tiger”; mais seis nomeações para Melhor Actor: “Some Like it Hot”, “Irma la Douce”, “Days of Wine and Roses”, “Tribute”, “The China Syndrome” e “Missing”. Globos de Ouro para Melhor Actor em 1960: “Some Like it Hot”; 1961: “Irma la Douce”; 1973: “Avanti!”; 2000: “Inherit the Wind”; Prémio Cecil B. DeMille em 1991 pelo conjunto da obra. BAFTAS (Inglaterra): Melhor Actor: 1959: “Some Like it Hot”; 1960: “The Apartement”; 1980: “Irma la Douce”; Festival de Cannes: 1979: Melhor Actor: “Irma la Douce”; 1982: “Missing”; Festival de Veneza: 1992: Coupe Volpi de Melhor Actor: “Glengarry”; Festival de Berlin: 1981: Urso de Prata para Melhor Actor “Tribute”.

PRINCIPAIS FILMES:

1954: It Should Happen to You (Uma Rapariga Sem Nome), de George Cukor; 1955: Mister Roberts (Mister Roberts), de John Ford e Mervin Le Roy; 1955: My Sister Eileen (O Prazer é Todo Meu), de Richard Quine; 1955: Three for the Show (Há Falta de Homens), de H.C. Potter; 1957: Operation Mad Ball (Nem Guerra, Nem Paz), de Richard Quine; 1958: Bell, Book and Candle (Sortilégio de Amor), de Richard Quine; 1958: Cowboy (Cowboy, Como Nasce Um Bravo), de Delmer Daves; 1959: It Happened to Jane (A Viuvinha Indomável), de Richard Quine; 1959: Some Like It Hot (Quanto Mais Quente, Melhor), de Billy Wilder; 1960: Pepe (Pepe), de George Sidney (cameo); 1960: The Apartment (O Apartamento), de Billy Wilder; 1962: Days of Wine and Roses (Escravos do Vício), de Blake Edwards; 1962: The Notorious Landlady (A Notável Senhoria), de Richard Quine; 1963: Irma La Douce (Irma La Douce), de Billy Wilder; 1965: How to Murder Your Wife (Como Matar a Sua Mulher), de Richard Quine; 1965: The Great Race (A Grande Corrida à Volta do Mundo), de Blake Edwards; 1966: The Fortune Cookie (Como Ganhar Um Milhão), de Billy Wilder; 1967: Luv (Livra-me Desta Mulher), de Clive Donner; 1968: The Odd Couple (Mal por Mal antes com Elas), de Gene Saks; 1969: The April Fools (Os Loucos do Amor), de Stuart Rosenberg; 1970: The Out-of-Towners (A Sorte Viajou de Barco), de Arthur Hiller; 1971: Kotch (Antes Que Chegue o Inverno), de Jack Lemmon (não creditado); 1972: Avanti! (Avanti! Amor à Italiana), de Billy Wilder; 1972: The War Between Men and Women (A Guerra Entre Homens e Mulheres), Melville Shavelson; 1973: Save the Tiger (Sonhos do Passado), de John Avildsen; 1974: The Front Page (A Primeira Página), de Billy Wilder; 1975: The Prisoner of Second Avenue (O Prisioneiro da Segunda Avenida), de Melvin Frank; 1979: The China Syndrome (A Síndroma da China), de James Bridges; 1979: 1980: Tribute (A Homenagem), de Bob Clark; 1981: Buddy Buddy (Os Amigos da Onça), de Billy Wilder; 1982: Missing (Missing - Desaparecido), de Costa-Gavras; 1986: That’s Life! (A Vida é Assim), de Blake Edwards; 1986: Macaroni, de Ettore Scola; 1991: JFK (JFK), de Oliver Stone; 1992: Glengarry Glen Ross (Sucesso a Qualquer Preço), de James Foley; 1992: The Player (O Jogador), de Robert Altman; 1993: Short Cuts (Short Cuts — Os Americanos), de Robert Altman; 1993: 1995: Grumpier Old Men (Dois Novos Rabugentos), de Howard Deutch; 1995: 1996: Hamlet (Hamlet), de Kenneth Branagh; 1997: Out to Sea (Mais Olhos Que Barriga), de Martha Coolidge; with Morrie, de de Mick Jackson (telefilme) 1999: Chicken Soup for the Soul (série de TV). Como realizador: 1971: Kotch (Antes Que Chegue o Inverno).

sábado, 7 de janeiro de 2017

VÊM AÍ OS RUSSOS, VÊM AÍ OS RUSSOS


VÊM AÍ OS RUSSOS, VÊM AÍ OS RUSSOS (1966)

Norman Jewison (21.6.1926, Toronto, Canadá) é daqueles sólidos realizadores norteamericanos que nunca ganharam a estima dos seus iguais. Vários filmes seus disputaram Oscars (e um ganhou o Oscar de Melhor Filme do Ano: “No Calor da Noite”), mas nunca as nomeações para Melhor Realizador se traduziram no final por estatuetas. Ganhou uma, honorária, quase no final da carreira (1999). Depois de um início passado na televisão, e de algumas comédias no princípio da carreira no cinema, assinou obras meritórias, como “O Aventureiro de Cincinnati” (1965), “Vêm aí os Russos, Vêm aí os Russos” (1966),No Calor da Noite” (1967),O Grande Mestre do Crime” (1968),Chicago, Chicago” (1969), “Um Violino no Telhado” (1971),Jesus Cristo Superstar” (1973), “Rollerball - Os Gladiadores do Século XXI” (1975),...E Justiça para Todos” (1979), “A História do Soldado” (1984), “Agnes de Deus” (1985), “O Feitiço da Lua” (987), entre outras, prolongando o seu trabalho até 2003. Tanto se empenhou em comédias como em musicais, filmes de tese ou ficção científica, e sempre acabava bem as empreitadas.
“Vêm aí os Russos, Vêm aí os Russos”, de 1966, é definitivamente um filme datado. A década de 60 foi interessante de acompanhar quanto à guerra fria que se vivia entre EUA e URSS. Depois dos momentos de grande tensão, entre 1961 e 1962, com a invasão da Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis em Cuba, as relações entre as duas superpotências parece terem serenado um pouco, criando indícios de paz ancorados numa possível coexistência pacífica, com Nixon e Brejenev estabelecendo alguns acordos que serenaram um pouco a ebulição internacional. É neste contexto que aparece “The Russians Are Coming, the Russians Are Coming”, com argumento de William Rose, segundo o romance “The Off-Islanders”, de Nathaniel Benchley. Todo o filme se baseia na histeria norte-americana quanto a possíveis ataques soviéticos e aponta para uma moralidade final de concórdia e paz entre os povos (afinal os russos também salvam criancinhas em lugar de as comerem ao pequeno almoço).


A ideia é francamente divertida: em manobras, certamente de espionagem, perto da costa Oeste norte-americana, um submarino soviético encalha muito próximo de uma das praias da ilha (fictícia) de Gloucester. Realmente, o filme foi rodado na costa norte da Califórnia, principalmente em Mendocino, as cenas do porto são em Noyo Harbor, uma cidade ao sul de Fort Bragg. O capitão do submarino, um irado e incompetente Спрут ("polvo", na sua tradução), envia a terra o tenente Rozanov, juntamente com um grupo de oito marinheiros, para encontrarem e “alugarem” um barco para arrastar o submarino, desencalhando-o e levando-o para o mar alto. O grupo acaba por ocupar a casa de uma família em férias, os Whittaker, e a partir daí desencadeia-se a onda de histeria provocada pela “invasão” dos russos que “descem de paraquedas”, “ocuparam o aeroporto” (e que aeroporto!), estão um pouco por todo o lado, e às centenas. As peripécias são muitas e diversificadas, umas são muito bem conseguidas, outras arrastam-se um pouco, mas o resultado final é hilariante, a “moral” humanista, e sobretudo a interpretação muito conseguida, com um elenco de habituais segundas figuras, aqui em momentos de fulgor: Alan Arkin, Carl Reiner, Eva Marie Saint, Brian Keith, Paul Ford, Theodore Bikel, Tessie O'Shea, John Phillip Law, Ben Blue ou Michael J. Pollard são inesquecíveis.


Algumas curiosidades finais: o submarino que aparece no filme foi fabricado pelos produtores, dado que a marinha dos EUA se recusou a emprestar um e impediu o estúdio de trazer um submarino russo real. Mas os aviões que se veem, esses são reais, F-101 Voodoo Jets da 84th Fighter-Interceptor Squadron, provenientes da vizinha Base Aérea de Hamilton.
Diga-se ainda que, segundo Norman Jewison, o filme teve um impacto considerável tanto em Washington quanto Moscovo. Um senador, Ernest Gruening, chegou a referir-se a ele num discurso no Congresso, e uma cópia foi exibida no Kremlin, onde terá provocado lágrimas nalguns assistentes, entre eles o cineasta Sergei Bondarchuk.
Entre vários outros prémios e nomeações, “The Russians Are Coming the Russians Are Coming” foi nomeado para os Oscars de Melhor Filme, Melhor Argumento, Melhor Actor (Alan Arkin) e Melhor Montagem. Não ganharia nenhum. Mas nos Globos de Ouro teve melhor sorte. Alcançou o Globo para Melhor Filme de comédia ou musical, e Alan Arkin levou a estatueta de Melhor Actor na mesma categoria. Foram ainda nomeados John Phillip Law e o argumento.


VÊM AÍ OS RUSSOS, VÊM AÍ OS RUSSOS
Título original: The Russians Are Coming the Russians Are Coming

Realização: Norman Jewison (EUA, 1966); Argumento: William Rose, segundo romance de Nathaniel Benchley ("The Off-Islanders"); Produção: Norman Jewison, Walter Mirisch; Música: Johnny Mandel; Fotografia (cor): Joseph F. Biroc; Montagem: Hal Ashby, J. Terry Williams; Casting: Lynn Stalmaster;  Direcção artística: Robert F. Boyle; Decoração: Darrell Silvera;  Maquilhagem: Del Armstrong, Naomi Cavin, Sydney Guilaroff; Direcção de Produção: Jim Henderling, Fred Lemoine, Allen K. Wood; Assistentes de realização: Kurt Neumann, Leslie Gorall; Departamento de arte: Anthony Bavero, Lewis E. Hurst Jr., James F. McGuire, Thomas J. Wright; Som: Al Overton, Clem Portman, John Romness,  Sidney Sutherland;  Efeitos especiais: Daniel Hays; Companhia de produção: The Mirisch Corporation; Intérpretes: Carl Reiner (Walt Whittaker), Eva Marie Saint (Elspeth Whittaker), Alan Arkin (Lt. Rozanov), Brian Keith (chefe de policia Link Mattocks), Jonathan Winters (Norman Jonas), Paul Ford (Fendall Hawkins), Theodore Bikel (capitão do submarino),, Tessie O'Shea (Alice Foss (telefonista), John Phillip Law (Alexei Kolchin), Ben Blue (Luther Grilk), Andrea Dromm (Alison Palmer), Sheldon Collins (Pete Whittaker), Guy Raymond (Lester Tilly), Cliff Norton, Richard Schaal, Philip Coolidge, Don Keefer, Cindy Putnam, Parker Fennelly, Doro Merande, Vaughn Taylor, Johnny Whitaker, Danny Klega, Ray Baxter, Paul Verdier, Nikita Knatz, Constantine Baksheef, Alex Hassilev, Milos Milos, Gino Gottarelli, Paul Barselou, Sidney Clute, Laurence Haddon, Paul Lambert, Larry D. Mann, James McCallion, Michael J. Pollard, etc. Duração: 126 minutos; Distribuição em PortugalLNK Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos.

1941 (ANO LOUCO EM HOLLYWOOD)


1941: ANO LOUCO EM HOLLYWOOD (1979)

Com cerca de 30 anos, Steven Spielberg continuava o menino-prodígio de Hollywood, versão anos 70. Que dizer, aliás, de um jovem que com 20 e poucos anos roda "Um Assassino pelas Costas" (Duel), para continuar a carreira com obras como "Asfalto Quente", "Tubarão" e "Encontros Imediatos do Terceiro Grau", antes de se estrear também na comédia, com "1941 - Ano Louco em Hollywood?"  Deverá chamar-se «genial» a um autor que toca tantos campos (o filme de violência, o fantástico, a ficção científica, o terror, a comédia…) e que o faz com tamanho sentido do espectáculo, e uma tal demonstração de inteligência, lucidez e sensibilidade?
“1941” é uma comédia que procura renovar o burlesco, na linha de algumas tentativas como “O Mundo Maluco”, “A Grandes Corrida à Volta do Mundo”, “Os Alegres Malucos das Máquinas Voadoras”, entre outros títulos possíveis de citar.  A história tem algo a ver com um filme de Jewison, “Vêm aí os Russos!”, com algumas alterações de data e de inimigo. Desta feita quem ameaça a paz dos EUA e desencadeia histeria são os nipónicos comandados por Toshiro Mifune e o seu colaborador nazi, Christopher Lee. Estamos em Los Angeles-Hollywood; corria, obviamente, o ano 1941. Alguns dias antes dera-se o massacre de Pearl Harbour. O povo dos Estados Unidos está particularmente sensível ao avanço dos «amarelos», o que não quer dizer que Hollywood não continue a produzir e a exibir o «Dumbo» de Walt Disney (que enternece até às lágrimas o general americano) e a promover grandes concursos de dança (que por vezes terminam em violentos arraiais de pancadaria, como no caso vertente Spielberg testemunha com um gosto por um humor destrutivo de uma agressividade e ritmo nunca vistos em cinema). Mas, no alto da grande roda do luna-parque dois vigias aí colocados espreitam as possíveis manobras do inimigo, enquanto o exército coloca tanques e peças anti-aéreas nas quintas dos arredores («não quero a guerra no meu quintal», grita a dona do terreno invadido), particularmente bem colocados no caso de um ataque costeiro.  Por todo o lado se vê a ameaça «boche», mas particularmente suspeito é o riso amarelo. Um submarino que se movimenta nas águas territoriais americanas (e que surge nas imagens iniciais de 1941 parodiando o Tubarão do próprio Spielberg) é seguido com interesse redobrado. Mas se a histeria é total no campo americano, não é menos autêntica no submergido mundo nipónico, onde se interroga Hollis Wood (o impagável Slim Pickens), com base num qui pro quo sonoro.


O delírio atinge o paroxismo passadas as cenas iniciais que situam a acção e definem personagens. A loucura progride e a invenção do humor de John Millius (argumentista) e Spielberg parte à desfilada com o freio nos dentes. Nada deterá o piloto que manda encher depósitos de aviões nas estações de gasolina da estrada, nem os condutores de um tanque de guerra ou os sensuais comandantes (?) de outro avião que evolui nos céus de Hollywood, ao sabor dos espasmos amorosos dos seus distraídos tripulantes.
O antimilitarismo agressivo de 1941 é mais do que evidente, sendo extensivo não só aos frenéticos generais norte-americanos (onde alguns se chamam Mad e «mad» são), mas também aos japoneses e alemães, todos eles irmanados numa fúria destrutiva que parece converter em brincadeira sem significado de maior o futuro dos seus povos e da humanidade. Mas se este sentimento antimilitarista é evidente, a verdade é que 1941 não procura carregar demasiado as cores da «mensagem», para se situar no campo da diversão pura, ainda que sempre inteligente e excelentemente trabalhada, não só no plano narrativo e rítmico, como no domínio (aqui impressionante) dos cenários, das massas humanas e do seu exuberante entrecruzar. O que terá custado à Columbia e à Universal a bonita quantia de 34 milhões de dólares, gastos a erguer um décor monumental (quase todo o filme é rodado em cenários e estúdio) para o fazer explodir seguidamente, à força de rajadas de metralhadora e demais fogo-de-artifício. E não se diga que é fácil dominar os meios postos à disposição de Spielberg, nem comandar com o rigor de um ballet os milhares de figurantes que perseguem o inimigo e exorcizam terror à força de desvairados rasgos de histérica loucura.


1941 (ANO LOUCO EM HOLLYWOOD)
Título original: 1941 
Realização: Steven Spielberg (EUA, 1979); Argumento: Robert Zemeckis, Bob Gale e John Milius; Música: John Williams; Fotografia (cor): William A. Fraker; Produção: Buzz Feitshans, John Milius, Michael Kahn e Janet Healy; Montagem: Michael Kahn; Design de produção: Dean Edward Mitzner; Direcção artística: William F. O´ Brien; Decoração: John Austin e Jim Hasinger; Guarda-roupa: Deborah Nadoolman; Maquilhagem: Bob Westemoreland; Direcção de Produção: Chuck Myers e Herb Willis; Assistentes de realização: Jerry Ziesmer, Steve Perry e Chris Soldo;  Som: Gene Cantamesa, Buzz Knudson, Robert Glass, Don MacDougall e Chris Jenkins; Coreografia: Paul de Rolf e Judy van Wormer; Efeitos especiais: A.D. Flowers; Efeitos visuais: L.B. Abbott, Larry Albright, Larry Robinson; Companhias de produção: A-Team Productions para a Universal e Columbia Pictures; Intérpretes: Dan Aykroyd (sargento Tree), Ned Beatty (Ward Douglas), John Belushi (Wild Bill Kelso), Lorraine Gary (Joan Douglas), Murray Hamilton (Claude), Christopher Lee (capitão con Kleinschmidt), Tim Matheson (capitão Loomis Birkhead), Toshiro Mifune (comandante Miramura), Warren Oates (coronel Maddox), Robert Stack (general Joseph W. Stilwell), Treat Williams (Sitarski), Nancy Allen (Donn Stratton), Lucille Bensen («Gas Mama»), Jordan Brian (Macey), John Candy (Foley), Elisha Cook (o patrão), Eddie Deezen (Herb), Bobby DiCicco (Wally), Dianne Kay (betty Douglas), Perry Lang (Dennis), Patti PuPone (Lydia Hedberg), J. Patrick McNamara (sargento Willard Dubois), Frank McRae (Quincy Jones), Penny Marshall (Miss Fitzroy), Stephen Mond (Gus Douglas), Slim Pickens (Hollis Wood), Wendie Jo Sperber (Maxine), Lionel Stander (Angelo Scioli), Dub Taylor (Sr. Malcomb), Ignatius Wolfington (Meyer Mishkin), Christian Zika (Stevie Douglas), Sam Fuller (o comandante), Mickey Rourke (Reese), John Landis (Mizerany), Michael McKean (Willy). Duração: 118 minutos; Distribuição em Portugal: Lusomundo Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 28 de Março de 1980.

BOM DIA, VIETNAME


BOM DIA, VIETNAME (1987)

A Guerra do Vietname, que opôs o Vietname do Norte e os norte-americanos, manteve-se acesa entre 1955 e 30 de Abril de 1975. Os vietnamitas do Sul estiveram do lado americano, enquanto países como a China, a Coreia do Norte e a União Soviética prestaram apoio logístico ao Vietname do Norte, também conhecido por Vietcongue. Neste conflito morreram cerca de três a quatro milhões de vietnamitas do Norte e do Sul, além de outros dois milhões de cambojanos e laocianos, arrastados para a guerra com a propagação do conflito. Do lado americano, as baixas atingiram cerca de 58 mil militares. Esta foi uma guerra que se afastou das regras convencionais, optando por uma guerrilha sistemática de um dos lados e pelo uso de bombardeamentos com armas químicas desfolhantes do outro. Os meios de comunicação norte-americanos, e internacionais, cobriram largamente esta guerra, que gerou enorme polémica e causou forte divisão na sociedade ianque. Os Acordos de Paz de Paris em 1973 foi o primeiro passo para o fim do conflito que só terminaria em abril de 1975, com a ocupação comunista de Saigão, capital do Vietnam do Sul, e a rendição do exército sul-vietnamita. Esta guerra teve profundos reflexos na cultura norte-americana, e obviamente na sua indústria cinematográfica. Muitos filmes abordaram directa ou indirectamente o conflito. Alguns ainda durante as fases de combate, outros posteriormente. “Mash” serviu-se de outra guerra para apontar a esta. “O Soldado Azul” ou “O Pequeno Grande Homem”, por exemplo, eram westerns que metaforicamente abordavam o caso Vietnam.
“Bom Dia, Vietnam”, de Barry Levinson, de 1987, realizado 12 anos após o termo do conflito, tinha já uma outra possibilidade de análise, dispondo de um certo distanciamento. Curiosamente, o filme baseia-se numa figura que realmente existiu, Adrian Cronauer, mas este não se sentiu muito identificado com a sua personagem. Disse que nunca as suas emissões tinham tido um cunho humorístico, que não se reconhece senão em 45 % do que acontece na obra, que esta o apresenta como um quase pacifista e anti-guerra, quando ele era sobretudo “contra a estupidez”, e finalmente concluiu que se tivesse feito metade do que se vê no filme teria sido julgado em Conselho de Guerra. Parece que hoje em dia é advogado e membro proeminente do partido Republicano. 


O filme ficciona, portanto, um pouco a figura do modelo, e o que vemos é a história de um locutor de rádio e “disc jockey” que chega ao Vietnam para animar as forças armadas norteamericanas aí aquarteladas. As emissões anteriores eram particularmente cuidadas, moderadas, politicamente correctas e militarmente controladas. Com a chegada de Adrian Cronauer, tudo se modifica e precipita num sentido diverso. A começar desde logo pela sua saudação inicial: Goooood Moorning, Vietnammmm!! Depois a irreverência das suas palavras, a escolha de um repertório musical à base de rock, a alegria e espontaneidade das suas réplicas em tudo se assemelha à sua forma descontraída de trajar, à maneira como convive com os indígenas. Adrian Cronauer provoca uma pequena tempestade no aquartelamento, divide as tropas, opõe os superiores em campos opostos, cria amigos e inimigos (como o vingativo sargento Dickerson) e acaba reenviado para casa, por tudo isto que atrás fica dito e por conviver com um suposto vietcong, que era irmão de um jovem por quem visivelmente se apaixonara.
Barry Levinson é um realizador bastante interessante, que assinou um conjunto de obras quase sempre de boa qualidade, assentes em argumentos inteligentes, bem conduzidas e normalmente muito bem interpretadas. Boa escolha de actores e, igualmente, boa direcção, mesmo quando, como no caso presente, essa boa direcção foi de certa forma dar rédea solta a Robin Williams. Produtor, argumentista, actor, homem de mil talentos no campo do cinema, Barry Levinson é sobretudo saudado como realizador de um bom conjunto de títulos que o notabilizaram nas décadas de 80 e 90 do século passado, a começar desde logo pelo belíssimo “Adeus, Amigos” (1982), passando por “Um Homem Fora de Série”, “O Enigma da Pirâmide”, “Bom Dia, Vietname”, “Encontro de Irmãos”, “Bugsy”, “Revelação”, “Sentimento de Revolta”, “Manobras na Casa Branca” até chegar a “Os Melhores Anos”. Ultimamente, filmes como “O Homem do Ano”, “Pânico em Hollywood” ou “A Humilhação” (2014) não parecem manter viva a mesma qualidade e interesse. A sua colaboração com Robin Williams foi numerosa, mas definitivamente o título de glória de ambos é “Bom Dia, Vietname”.
Rodado em grande parte em Banguecoque, na Tailândia (a fazer-se passar pelo Vietnam), o filme possui uma excelente fotografia, uma montagem nervosa e rigorosa, uma banda sonora de sucessos da época, e uma realização que sabe assumir-se em cenas de exteriores e quase apagar-se perante o génio de Robin Williams.


BOM DIA, VIETNAME
Título original: Good Morning, Vietnam
Realização: Barry Levinson (EUA,1987); Argumento: Mitch Markowitz; Produção: Harry Bennm, Larry Brezner, Mark Johnson, Ben Moses; Música: Alex North; Fotografia (cor): Peter Sova; Montagem: Stu Linder; Casting: Louis DiGiaimo; Design de produção: Roy Walker; Direcção artística: Steve Spence; Decoração: Tessa Davies; Guarda-roupa: Keith Denny; Maquilhagem: Eric Allwright, Mike Lockey;  Direcção de Produção: Jayne Armstrong; Assistentes de realização: M. Mathis Johnson, Sompol Sungkawess, Gerry Toomey, Bill Westley; Departamento de arte: Len Furey, Michael G. Ploog, John Roberts, Terry Wells; Som: Pieter Hubbard, David J. Hudson, Bruce Lacy, Bill Phillips;  Efeitos especiais: Fred Cramer; Companhias de produção: Touchstone Pictures, Silver Screen Partners III; Intérpretes: Robin Williams (Adrian Cronauer), Forest Whitaker (Edward Garlick), Tung Thanh Tran (Tuan), Chintara Sukapatana (Trinh), Bruno Kirby (Lt. Steven Hauk), Robert Wuhl (Marty Lee Dreiwitz), J.T. Walsh (Sgt. Major Dickerson), Noble Willingham (Gen. Taylor), Richard Edson (Pvt. Abersold), Juney Smith, Richard Portnow, Floyd Vivino, Cu Ba Nguyen, Dan Stanton, Don Stanton, Danny Aiello III, James McIntire, Peter Mackenzie, No Tran, Hoa Nguyen, Uikey Kuay, Suvit Abakaz, Panas Wiwatpanachat, Lerdcharn Namkiri, etc. Duração: 121 minutos; Distribuição em Portugal: Lusomundo Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 14 de Outubro de 1988.

ROBIN WILLIAMS (1951-2014)

Robin McLaurin Williams nasceu em Chicago (EUA), a 21 de Julho de 1951, e faleceu em Paradise Cay (EUA), a 11 de Agosto de 2014, vítima de suicídio por enforcamento. O corpo foi cremado e as cinzas foram lançadas na baía de San Francisco. Em 1973, Williams foi selecionado para integrar a prestigiada Juilliard School, onde John Houseman o escolheu, juntamente com Christopher Reeve, para prosseguirem estudos mais avançados. Era um aluno brilhante no estudo dos dialectos. Deixou a Juilliard em 1976. Actor, com particular destaque em papéis cómicos, iniciou a sua carreira na televisão, em inúmeras séries (as mais célebres de todas terão sido “Happy Days” e “Mork and Mindy”), e como actor de “stand-up comedy”. Em 1980, estreia-se no cinema, pela mão de Robert Altman, em “Popeye”, a que se segue um importante conjunto de obras que consolidam definitivamente o seu nome: “O Estranho Mundo de Garp”, “Os Sobreviventes”, “Um Russo em Nova Iorque”, “Bom Dia, Vietname”, “A Fantástica Aventura do Barão” ou “O Clube dos Poetas Mortos” (1989), com o qual arrecada impressionante sucesso público e de crítica. Seguem-se “Despertares”, “Hook” e “O Rei Pescador”. Com “O Bom Rebelde” (1977) ganha o Oscar de Melhor Actor Secundário. Foi nomeado mais três vezes, todas como Melhor Actor: “Good Morning, Vietnam” (1987), “Dead Poets Society” (1989) e “The Fisher King” (1991). Também conquistou ao longo da sua carreira mais dois Emmys, seis Globos de Ouro, dois prémios do Screen Actors Guild e cinco Grammys. As nomeações e muitos outros prémios são inumeráveis. Mas a partir de inícios de meados da década de 90. a sua estrela começou a empalidecer. Ofereciam-lhe quase só papéis de dobragem em filmes de animação, e o protagonismo em comédias que não mereciam o seu talento. Títulos como “Papá para Sempre”, “Jumanji”, “Casa de Doidas”, “Jack”, “O Dia dos Pais”, “Flubber - O Professor Distraído”, “Patch Adams”, “Um Milagre de Natal”, “Quem Está Morto Sempre Aparece”, “Com a Casa às Costas”, “O Homem do Ano”, “À Noite, no Museu1,2,3”. “À Noite no Museu: O Segredo do Faraó” (2014) foi o seu último filme. Mas entre algumas inutilidades, devem ressalvar-se as suas colaborações em “As Faces de Harry”, “O Homem Bicentenário”, “A.I. Inteligência Artificial”, “A Face do Amor” ou “O Mordomo”. 

MASH


MASH (1970)

Robert Bernard Altman (20/2/1925, Kansas City, EUA; 20/11/2006, Los Angeles, EUA) foi um dos maiores cineastas norte-americanos de fins do século XX, e um cineasta muito característico.  Conheceu altos e baixos nos favores do público, teve êxitos e insucessos, ganhou Óscares e passou ao lado de outros, dispersou a sua obra por diversos géneros, do drama à comédia, do policial ao musical, mas manteve-se sempre fiel a uma temática e a um estilo muito particular, e muito pessoal. As suas obras evoluíam ao sabor de um puzzle que continuamente se constrói e por vezes se destrói, com dezenas de personagens em histórias aparentemente paralelas que quase sempre convergem no final para um mesmo desfecho. Três dos últimos títulos de Robert Altman, “O Jogador”, nomeado para alguns Oscars de 1992, “Short Cuts - Os Americanos”, retirado de curtas e amargas histórias de Raymond Carver, que triunfou no Festival de Veneza de 1993, que voltaria a nomear Altamn para o melhor realizador de 1993, e “Gosford Park” (2001), várias nomeações e prémios no oscars e nos Globos de Ouro, chamaram, por exemplo, de novo a atenção para a obra deste cineasta, um dos mais interessantes do moderno cinema norte-americano, mas nem por isso dos mais populares junto do grande público, com uma ou outra excepção.
Falando do campo da comédia, Altman, desde MASH, até “A Praire Home Companion - Bastidores da Rádio” (2006) deu-nos alguns títulos indispensáveis, como “Um Casamento” (1978), “O Casal Perfeito” (1979), “Popeye” (1980), entre outros, mas não se pode dizer que seja um autor de comédias, apesar de serem exemplos bastante típicos da carreira de um realizador cuja filmografia se diversifica em direcções contrárias sendo, todavia, possível falar sempre de um estilo próprio e de preocupações particulares. Aliás, qualquer destes filmes, demonstram aspectos essenciais da obra de Altman, atento à realidade circundante, que crítica de forma vigorosa e contundente, mas também irónica e subtil, aprofundando a análise psicológica e as implicações psicanalíticas, quer em termos pessoais, em função das diversas personagens em confronto, quer em termos de um inconsciente colectivo norte-americano, falando dos EUA em termos globais. Digamos que há em Altman um pendor para  a parábola, exprimindo-se esta, no entanto, por formas muito diversas: ou numa via marcadamente realista (vejam-se os casos de “MASH”, “Um Casamento” ou “O  Casal Perfeito”, mas também outros títulos igualmente notáveis, como “Nashville” ou “O Jogador”, que se podem igualmente integrar nesta vertente), ou através de uma simbologia cerrada e críptica, que se esboça em “Três Mulheres” e se prolonga em outras obras como “Aquele Dia Frio no Parque”, “A Sombra do Duplo Amante” e “Quinteto”. 


“MASH” integra-se, pois, nessa vertente metafórica, mas de fundo vincadamente realista, por vezes mesmo hiper-realista, que tem sido o caminho mais fecundo e também o mais original da filmografia deste realizador. Este filme, estreado nos EUA em 1970, iria tornar Altman um cineasta reconhecido internacionalmente, dado o enorme sucesso de público e de crítica que conheceu. Junto da censura portuguesa, porém, a sua sorte seria nula, pois foi proibido integralmente, sendo estreado somente depois de 1974, quatro anos depois do seu lançamento internacional.
Divertida e corrosiva comédia de um humor por vezes retintamente negro, MASH alcançaria o Grande Prémio do Festival de Cannes e várias nomeações para os "Oscars", entre as quais o de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actriz, ganhando o Oscar de Melhor Argumento, atribuído a Ring Larner, Jr, que adaptou ao cinema um romance de Richard Hooker, um médico que cumpriu o seu serviço militar na Coreia, durante a guerra.
O cenário desta comédia é um campo de socorros a feridos (“Mobil Army Surgical Hospital”, donde M.A.S.H.), uma espécie de hospital de campanha, localizado vagamente na Indonésia, durante a guerra da Coreia, mas com os olhos postos obviamente na guerra do Vietname. Aí se encontram as enfermeiras e os médicos americanos que, recrutados pelo exército, cumprem o seu tempo de serviço militar obrigatório. O filme procura demonstrar pelo absurdo o absurdo da guerra. Com fina ironia, por vezes com alguma subtileza, outras entrando abertamente pela caricatura mais contrastada, Altman ataca um pouco por todo o lado, desde a hierarquia militar à incompetência médica, do puritanismo ao espírito vincadamente competitivo do americano médio (veja-se essa admirável sequência do jogo de "rugby"). O próprio machismo é parodiado numa outra sequência notável, a última ceia de um hipotético condenado à impotência, que aceita suicidar-se por não suportar essa ideia. Muito divertida é ainda uma outra situação chave deste filme, uma cena de sexo que, mercê de um traiçoeiro truque, é difundida e ouvida em estereofonia em todo o acampamento.


Altman revela-se um cineasta já de uma excelente fluência na condução do humor e na criação de um ritmo de comédia, jamais gratuita ou inconsequente, sempre inteligente e incisiva para com os poderes constituídos. É conveniente recordar que, em 1970, a América se encontrava num momento de grande contestação à intervenção americana no Vietname, e filmes como “MASH” muito ajudaram a criar esse clima de revolta da consciência colectiva.  Excelentes actores - Donald Sutherland, Elliot Goult, Tom Skerritt, Sally Kelllerman, Robert Duvall, entre outros - ajudam a fazer de “MASH” uma comédia imprescindível, um dos grandes títulos da década de 70.



MASH
Título original: MASH

Realização: Robert Altman (EUA, 1970); Argumento: Ring Lardner, Jr., segundo romance de Richard Hooker; Produção: Ingo Preminger, Leon Ericksen; Fotografia (cor):  Harold E. Stine; Música: Johnny Mandel; Montagem: Danford B. Greene; Direcção artística: Jack Martin Smith e Art Cruickshank; Decoração: Stuart A. Reiss, Walter M. Scott; Maquilhagem: Les Berns, Edith Lindon, Daniel C. Striepeke, Gerry Leetch; Direcção de Produção: Norman A. Cook; Assistentes de realização: Ray Taylor Jr.; Departamento de arte: Sidney H. Greenwood, Robert Lombardi; Som: Bernard Freericks, John D. Stack; Efeitos especiais: Greg C. Jensen; Efeitos visuais: L.B. Abbott, Art Cruickshank; Companhias de produção: Aspen Productions, Ingo Preminger Productions, Twentieth Century Fox Film Corporation; Intérpretes: Donald Sutherland (Hawkeye Pierce), Elliott Gould (Trapper John McIntyre), Tom Skerritt (Duke Forrest), Sally Kellerman ('Hot Lips' O'Houlihan), Robert Duvall (Maj. Frank Burns), Roger Bowen (Cor. Henry Blake), Rene Auberjonois (padre John Mulcahy), David Arkin (Sgt. Major Vollmer), Jo Ann Pflug (Ten. 'Dish'), Gary Burghoff (soldado Radar' O'Reilly), Fred Williamson (Dr. Oliver 'Spearchucker' Jones), Michael Murphy ('Me Lai' Marston), Indus Arthur, Ken Prymus, Bobby Troup, Kim Atwood, Timothy Brown, John Schuck, Dawne Damon, Carl Gottlieb, Tamara Wilcox-Smith, G. Wood, Bud Cort, Danny Goldman, Corey Fischer, Stephen Altman, William Ballard, Buck Buchanan, etc. Duração: 116 minutos; Distribuição em Portugal: Fox; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 17 de Setembro de 1974.

DR. ESTRANHOAMOR


DOUTOR ESTRANHOAMOR (1964)
 
Sob a fórmula de sátira que leva ao absurdo as consequências últimas da Guerra Fria, “Doutor EstranhoAmor” alerta-nos para os perigos de um desastre nuclear, pondo a descoberto os índices de falibilidade das medidas de segurança utilizadas, perante o gigantismo dos interesses económicos e da tecnologia bélica. Kubrick afirmou-o, aquando da estreia: “Trata-se de um filme que mostra um general louco que lança bombardeiros atómicos sobre um país adversário. A partir daí o mundo começa a levar as coisas a sério, só que é um pouco tarde.”
“Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, com argumento de Stanley Kubrick, Terry Southern, Peter George, segundo romance de Peter George (“Red Alert”, ou “Two Hours to Doom”) vê a sua acção polarizada em três cenários diferentes, mas convergentes nas suas acções que se interpenetram, numa montagem em paralelo: uma base militar norte-americana, isolada, onde se encontra um general enlouquecido; a sala redonda do Pentágono, onde o presidente dos Estados Unidos e os seus conselheiros políticos e militares tentam remediar a sabotagem; o interior de um bombardeiro que depois de ter recebido ordens para dar cumprimento ao plano de “ataque R”, se precipita para o interior da União Soviética, com a finalidade de destruir objectivos militares. Da conjugação das situações nestes três locais nasce o suspense desta obra de humor corrosivo, brilhantemente interpretada por Sterling Hayden (o brigadeiro Jack D. Ripper, um perigoso belicista louco), Peter Sellers (compondo três personagens: capitão Lionel Mandrake, adjunto de Jack D. Ripper, Merkin Muffley, presidente dos EUA e Dr.Stangelove, um técnico alemão, meio robot, com um teimoso braço direito que não se cansa de se projectar para a frente, numa clara saudação nazi), George C. Scott (general 'Buck' Turgidson), Keenan Wynn (coronel 'Bat' Guano) ou Slim Pickens (major T.J. 'King' Kong).


Este filme integra-se numa corrente de ficção política que na década de 60 teve várias obras de idênticas intenções, nomeadamente “Sete Dias em Maio”, de John Frankenheim, e “Missão Suicida”, de James B. Harris, até então produtor de Stanley Kubrick, e que com essa realização se emancipava como director, iniciando uma nova carreira. Mas este filme de Kubrick é claramente superior às outras obras (muito embora a evidente qualidade de ambas), e isso deve-se à magnífica realização deste cineasta, e sobretudo ao tom de humor escolhido. Kubrick não perde uma oportunidade para sublinhar um efeito de sátira: o piloto do bombardeiro norte-americano lança-se sobre terra russa, cavalgando uma bomba nuclear, tal como um vulgar cowboy de tempos heroicos; toda a carga simbólica de personagens como o brigadeiro louco (e a sua teoria da ameaça bolchevista: a degenerescência dos fluídos corpóreos!); o próprio Dr. Stangelove; a crítica ostensiva ao militarismo de um inconsciente general Buck Turgidson, que, depois de desencadeada a crise, já com os bombardeiros a caminho da URSS, justifica o aproveitamento desta decisão, com a explicação de que uma tal ocorrência apanharia os soviéticos desprevenidos e permitiria acabar com o seu poderio, “com um mínimo de perdas humanas, qualquer coisa como apenas 120 milhões de soviéticos e 20 milhões de americanos”; ou ainda o fabuloso bailado final, quando sucessivas explosões nucleares se fundem num apocalíptico cogumelo de destruição, tendo como banda sonora uma romântica valsa (sequência que está certamente na origem de certas ideias de sonoplastia desenvolvidas depois em 2001).
Um filme brilhante, de um homem desencantado e corrosivo quanto ao futuro do Homem. Um futuro que Kubrick irá antever sob uma perspectiva inteiramente nova, no filme seguinte, a sua primeira incursão no campo da ficção científica, “2001: Odisseia no Espaço”.


DR. ESTRANHOAMOR
Título original: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb

Realização: Stanley Kubrick (Inglaterra, 1964); Argumento: Stanley Kubrick, Terry Southern, Peter George, segundo romance de Peter George (“Red Alert”, ou “Two Hours to Doom”); Música: Laurie Johnson; Fotografia (p/b):  Gilbert Taylor; Montagem: Anthony Harvey; Design de produção: Ken Adam; Direcção artística: Peter Murton; Maquilhagem: Stuart Freeborn, Barbara Ritchie; Direcção de produção: Clifton Brandon; Assistentes de realização: Eric Rattray; Som: John Aldred, Richard Bird, John Cox, Leslie Hodgson; Efeitos Especiais: Wally Veevers, Alan Bryce, Arthur 'Weegee' Fellig, Brian Gamby, Garth Inns, Mike Shaw; Efeitos visuais: Vic Margutti; Produção: Stanley Kubrick, Victor Lyndon, Leon Minoff.; Intérpretes: Peter Sellers (Capitão Lionel Mandrake/Presidente Merkin Muffley/Dr. Strangelove), George C. Scott (General 'Buck' Turgidson), Sterling Hayden (Brigadeiro Jack D. Ripper), Keenan Wynn (Coronel 'Bat' Guano), Slim Pickens (Major T.J. 'King' Kong), Peter Bull (Embaixador soviético Alexi de Sadesky), James Earl Jones (Tenente Lothar Zogg), Tracy Reed (Miss Scott), Jack Creley (Mr. Staines), Frank Berry (Tenente  H.R. Dietrich), Robert O'Neil (Almirante Randolph), Glenn Beck (Tenente  W.D. Kivel), Roy Stephens (Frank), Shane Rimmer (Capitão G.A. 'Ace' Owens), Paul Tamarin (Tenente  B. Goldberg), Gordon Tanner (General Faceman), John McCarthy, Hal Galili, Laurence Herder, etc. Duração: 93 minutos; Distribuição em Portugal: Columbia Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 25 de Julho de 1974. 


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O MUNDO MALUCO


O MUNDO MALUCO (1963)

A comédia pode ter muitas razões de ser, mas normalmente o seu fito é uma crítica, mais ou menos violenta, a vícios e defeitos da Humanidade. “O Mundo Maluco”, que Stanley Kramer produziu e realizou em 1963, pode bem considerar-se um paradigma desse tipo de comédia que procura fustigar as imperfeições (sejamos generosos nos termos) da condição humana. Tudo se passa, de princípio a fim do filme, numa corrida de loucos. As primeiras imagens mostram uma estrada a ser percorrida a alta velocidade por um carro que é perseguido pela polícia. O automóvel sai da estrada, precipita-se por uma ravina abaixo, o seu tripulante é cuspido, alguns outros carros que seguem na estrada e presenciam o acidente param, os passageiros tentam ajudar o acidentado, este antes de morrer informa os presentes que debaixo de um grande W, num Parque Rosita, se encontram escondidos 350.000 dólares que serão de quem os encontrar. Livres de impostos. Primeiro desconfiados, depois procurando uma estratégia comum, finalmente cada um por si, lançam-se todos à procura do tesouro. 
São cinco os carros, mas são oito os passageiros, ainda tentam acertar numa divisão equitativa, mas ninguém quer perder uma migalha do seu pedaço de sonho. Todos percebem que o tesouro não passa de um roubo ciosamente guardado pelo seu empreendedor. Mas nenhuma daquelas almas penadas está disposta a deixar passar a sorte grande a seu lado. Todos aceitam colocar para trás das costas a finalidade inicial das suas viagens (uma segunda lua-de-mel, uma ida a Las Vegas, um passeio de repouso, a mudança de uma mobília) para se centrarem neste novo alvo. Chegar ao grande W do Parque Rosita. Tarefa que se poderia fazer nas calmas se todos unissem esforços e delineassem uma acção comum, mas que a ganância de cada um leva para acções egoístas que provocam as mais desencontradas peripécias e um caos absoluto. Tanto mais que atrás de todos se encontra igualmente a polícia, dirigida pelo Capitão Culpeper (Spencer Tracy), um xerife à beira da reforma que descobre igualmente que os agentes da autoridade não são tratados com a devida justiça e não se importa nada de entrar na corrida por sua conta e risco.


Neste vale tudo para chegar aos apetecíveis 350.000 dólares, anda-se de carro, de bicicleta, de avioneta, de asa-delta, levam-se todos os cenários possíveis pela frente, tanto faz ser velho como novo, mulher ou homem, ladrão ou força da ordem, é a condição humana no seu melhor (ou melhor: no seu pior). A crítica é vigorosa, directa, imediata, não há como não a perceber.
Depois Stanley Kramer vai buscar todas as técnicas da velha comédia muda, do “slapstick”, e convoca para este filme algumas dezenas de velhas glórias da comédia norte americana, desde os tempos do mudo. Sim, não sonhou, quase no final da obra, aparece Buster Keaton a abrir a porta de uma garagem. Sim, é verdade, Spencer Tracy falha pela milionésima vez a forma como atira o chapéu para o bengaleiro e este vai cair na rua. É mesmo Jerry Lewis quem vai ao volante de um automóvel e que se precipita como um louco com o carro para cima do chapéu. Acertou!
Sim, é mesmo verdade que aparecem Spencer Tracy, Milton Berle, Sid Caesar, Buddy Hackett, Ethel Merman, Mickey Rooney, Dick Shawn, Phil Silvers, Terry-Thomas, Jonathan Winters Dorothy Provine, Joe E. Brown, Andy Devine, Selma Diamond, Peter Falk, Sterling Holloway, Edward Everett Horton, Carl Reiner, The Three Stooges, Jimmy Durante, e tantos e tantos outros ao longo de duas horas e meia de desvairadas aventuras de um mundo louco, louco, louco, louco por dinheiro.
Se existe uma comédia épica ela é “O Mundo Maluco”. Profundamente hilariante, sem dar tréguas ao espectador, serpenteia ao longo das estradas norte-americanas (mas serpentearia ao longo das estradas de qualquer outro país) como uma hidra de sete cabeças que só tem olhos para a ambição e a avidez.


O MUNDO MALUCO
Título original: It's a Mad, Mad, Mad, Mad World

Realização: Stanley Kramer (EUA, 1963); Argumento: William Rose, Tania Rose; Produção: Stanley Kramer; Música: Ernest Gold; Fotografia (cor): Ernest Laszlo; Montagem: Gene Fowler Jr. Robert C. Jones, Frederic Knudtson; Design de produção: Rudolph Sternad; Direcção artística: Gordon Gurnee; Decoração: Joseph Kish; Guarda-roupa: Bill Thomas; Maquilhagem: George Lane, Connie Nichols, Lynn F. Reynolds, Steven Clensos, Rolf Miller; Direcção de Produção: Clem Beauchamp, Adrian Woolery; Assistentes de realização: George R. Batcheller Jr., Bert Chervin, Charles Scott, Carey Loftin; Departamento de arte: Art Cole, Saul Bass (autor do genérico e do psoter), Jack Davis; Som: Walter Elliott, Roy Granville, John K. Kean, Clem Portman, Vinton Vernon, Glenn E. Anderson, Gordon Sawyer; Efeitos especiais: Danny Lee, Chuck Gaspar;  Efeitos visuais: Linwood G. Dunn, Farciot Edouart, James B. Gordon, Jim Danforth; Companhia de produção: Casey Productions; Intérpretes: Spencer Tracy (Capt. T. G. Culpepper), Milton Berle (J. Russell Finch), Sid Caesar (Melville Crump), Buddy Hackett (Benjy Benjamin), Ethel Merman (Mrs. Marcus), Mickey Rooney (Ding Bell), Dick Shawn (Sylvester Marcus), Phil Silvers (Otto Meyer), Terry-Thomas (J. Algernon Hawthorne), Jonathan Winters (Lennie Pike), Edie Adams (Monica Crump), Dorothy Provine (Emeline Marcus-Finch), Eddie 'Rochester' Anderson, Jim Backus, Ben Blue, Joe E. Brown, Alan Carney, Chick Chandler, Barrie Chase, Lloyd Corrigan, William Demarest, Andy Devine, Selma Diamond, Peter Falk, Norman Fell, Paul Ford, Stan Freberg, Louise Glenn, Leo Gorcey, Sterling Holloway, Marvin Kaplan, Edward Everett Horton, Buster Keaton, Don Knotts, Charles Lane, Mike Mazurki, Charles McGraw, Cliff Norton, Zasu Pitts, Carl Reiner, Madlyn Rhue, Roy Roberts, Arnold Stang, Nick Stewart, The Three Stooges, Sammee Tong, Jesse White, Jimmy Durante, Morey Amsterdam, Wayne Anderson, Phil Arnold, Al Bain, Jack Benny, Paul Birch, George Bruggeman, Noble 'Kid' Chisse, John Clarke, Stanley Clements, Joe DeRita, King Donovan, Minta Durfee, Roy Engel, Larry Fine, James Flavin, Sig Frohlich, Nicholas Georgiade, Rudy Germane, Bobby Gilbert, Stacy Harris, Don C. Harvey, Al Haskell, Moe Howard, John Indrisano, Allen Jenkins, Robert Karnes, Tom Kennedy, Harry Lauter, Ben Lessy, Bobo Lewis, Jerry Lewis, Bob Mazurki, Tyler McVey, Ralph Moratz, Monty O'Grady, Barbara Pepper, Elliott Reid, Eddie Rosson, George Russell, Eddie Ryder, Jean Sewell, Charles Sherlock, Eddie Smith, Cap Somers, Paul Sorensen, Ray Spiker, Max Wagner, Doodles Weaver, Lennie Weinrib, Danele Young, etc. Duração: 154 minutos; Distribuição em Portugal: MGM; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 10 de Maio de 1965.